terça-feira, 24 de março de 2015

Se casando com um supre

Muita coisa mudou em minha vida depois que me casei com Vitor. Depois de sair de um relacionamento abusivo com Celso, que me espancava pelos motivos mais insignificantes, um marido carinhoso era tudo de que eu precisava. No começo fiquei meio receoso. Apesar de em nossa amizade ele nunca ter demonstrado nenhum tipo de agressividade, pelo contrário, sempre me tratando com um cuidado especial, achei que passando a pertencer a ele de papel passado as coisas poderiam mudar, nem que fosse um pouco. Achei que ele se tornaria mais ríspido. Já vi muito isso, supres dando broncas assustadoras em seus namorados. Meu amigo Gabriel é um exemplo disso. Mas Vitor foi um doce. Me pegava em seus braços monstruosos com uma incrível delicadeza. Me senti protegido em meio a todos aqueles músculos. O curioso é que na rotina doméstica ele sempre deixou evidente sua superioridade física. Abria vidros de palmito com uma facilidade humilhante, me carregava no colo para o quarto e quando uma moeda caía debaixo de  algum modo pesado, o erguia sem nem franzir a testa. Eu sei que, apesar sua afabilidade, ele era cruel em seu trabalho. Às vezes ouvia as surras que ele dava em algum subalterno ineficiente e voltava para o quarto rosnando suavemente, com o corpo deliciosamente suado e a musculatura inchada. Mas ele passava direto, tomava seu banho e só depois que estivesse voltado ao seu temperamento habitual se aconchegava junto de mim.  Mas vez ou outra eu sentia um pouco daquela energia destrutiva emanar de seu corpo. Era muito excitante, mesmo sabendo o perigo que havia debaixo de toda aquela bela aparência.

Vitor até que estava se saindo bem dentro da Irmandade, mas ainda tinha muitas fraquezas humanas. Não tinha o pulso firme necessário para comandar seus soldados e por isso recebia frequentemente reprimendas de Paulo, seu superior imediato. Eu os ouvia conversando lá embaixo e sabia que meu marido estava numa situação complicada quando o tom de voz de Paulo se elevava. Sua posição era instável, ainda tinha muito o que provar e se nãos e tornasse um líder rigoroso, corria o risco de ser rebaixado. Eu não sei o que seria de nós de isso acontecesse. Nossa casa ainda era da Irmandade, ele teria de trabalhar muito para pagá-la. Possivelmente teríamos de morar num lugar bem mais modesto, sem a segurança que havia ali. Com ele por perto não havia perigo, mas quando ele saía eu ficaria desprotegido, não fosse os garotos que faziam segurança ali. Eram excelentes rapazes, com quem me sentia seguro e de quem ficara amigo.

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